

Porque não escuto mais a voz do meu pai
Porque não escuto mais a voz do meu pai
O mesmo pai barbeado Que eu escutava em menino Onde se refugiou com seu terno E todos os seus pergaminhos Como refazer seus caminhos Onde foi que perdi seus carinhos As rimas que deixou Se multiplicam em migalhas Seu sorriso Seus disfarces O pão que comeu A água na qual se banhou Por onde arredia meu pai Onde ficou aquecido o frio Que eu sentia em menino E que hoje nem sei mais Onde foram parar suas camisas suadas Em que areia se apagou sua pegada Seu ronco de vidro O feltro grená de sua língua Sua cabeleira de astral O que de mim levou ele O que dele em mim ficou O que era ele e o que eu sou?
Paulo Luna
Enviado por Paulo Luna em 09/08/2026
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