

Na cidade sitiada
Na cidade sitiada
Os mortos andam juntos Nas vielas da pobreza Uma mãe reza cansada Não quer que o filho Vire bandido O pai não quer Que o filho viva escondido Mas na cidade sitiada Onde o luxo e a ostentação ]se pregam como virtude Uma criança que nasça Numa viela qualquer Um dia brincará Jogará futebol E sonhará Mas os dias passam Er nas vielas da pobreza A fome, a morte A sujeira, o descaso Os descalabros sociais Vão tecendo lentamente Destinos e desatinos Depois uma arma Brilha num beco E de repente Lá se foi mais um Atrás da vida fácil? Atrás do poder ilusório Contando com riquezas Que nunca serão suas O tempo passa E um dia Uma operação policial Espalha corpos no chão Bandido bom É bandido morto Repetem os mímicos Lacaios dos poderosos Mas enquanto Algumas mães choram Os filhos que não voltam A roleta segue a girar A riqueza a ser contada E nas vielas da pobreza Onde o amanhã nunca chega Outras mães vão tendo filhos Que um dia irão sangrar Uns construindo A riqueza dos liberais Ajudar o rico A mais dinheiro acumular Enquanto outros Irão roubar Irão matar Irão morrer Até que um dia uma operação policial Deixe a cidade sitiada E no final Os corpos empilhados Não impedem os bancos de lucrar E em cada gota De sangue que se mistura Com uma lágrima que cai Deixa espelhar na escuridão As faces soturnas Da desigualdade e da exclusão
Paulo Luna
Enviado por Paulo Luna em 29/10/2025
Comentários
|